A Obra e a arte de Sérgio Amorim.
Expressões de um olhar sensível
sobre as suas raízes.

J

JANELAS DE MARIA

Ah, janelas de Maria,
que segredos me trazes
por trás dessas madeiras,
dessas cores exuberantes e
de flores estonteantes?

Ah, janelas de Maria... Quanta música e poesia,
quantos suspiros e ais,
escuto do banco na calçada da via,
pelos espaços e frestas,
dessas misteriosas janelas,
respondes,
para quem as abriria?

Ah, janelas de Maria... Pequenas e estreitas,
grandes e largas,
com cortinas finas e coloridas
ou brancas,
umas descortinadas,
outras com rendas bordadas,
sem medida certa,
sem regras,
envoltas em magia
me enternecem, me encantam
e me fazem sonhar,
contigo, ó Maria.

Maria Simões

V

VIDA EM TELAS

No vão das paredes
as imagens nas pinturas,
histórias da vida,
memórias sentidas,
as dores em cores,
as alegrias e os amores.
O artista se desnuda
em símbolos só seus
combinação de tintas
misturas de sensações,
fragmentos de emoções.
Arte que geme, sussurra,
canta, grita e encanta.
E desfilam-se aos olhos
em uma mágica viagem,
mares, barcos, cidades,
povo, flores e religiosidades.
E o pincel não para,
permanece bailando nos dedos,
a espátula trabalha,
destrói a construção das linhas,
mutando as formas,
o excesso de tinta transborda,
ao som da pura magia do dom,
de esboçar, desenhar e pintar.
E os dias arrastam-se nesse
berçário pulsante do que existe
de mais puro e sincero,
o homem e sua abstração,
materializam-se em aquarelas e telas,
imortais, atemporais e belas.

Maria Simões